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Para Sequoia, os agentes de IA vão dominar sua rotina

Sócio da gestora americana está à frente de aportes early stage - inclusive no Brasil

De infraestrutura a aplicações, Konstantine Buhler está mergulhado em inteligência artificial. Sócio da gestora americana Sequoia há pouco mais de cinco anos, ele tem sido responsável pelas apostas da firma em companhias de IA em estágio inicial (seed e early stage). Foi em fase inicial que a Sequoia investiu na OpenAi, por exemplo – quando o valuation já estava em impressionantes US$ 14 bilhões para uma novata, mas distante dos US$ 157 bilhões da última rodada ou dos US$ 300 bilhões que tem se falado para um novo round.

Para Buhler, se as pessoas já se habituaram a fazer perguntas à IA generativa, o próximo passo é de fato colocá-la para trabalhar de forma mais dinâmica – sistemas de software que executam toda uma tarefa em nome dos usuários e que já estão sendo aplicados dentro de empresas.

“A maior oportunidade hoje é o agente de IA”, diz o sócio da Sequoia ao Pipeline. “É não só responder perguntas, mas tomar atitudes. Você escreve o email usando IA, ele quem lê a resposta e faz a tréplica. Não é sobre produtividade apenas, mas sobre suavizar a rotina também e ampliar acesso. Pense num suporte ao cliente, por exemplo: o agente de IA pode atender ou mandar email às duas da manhã.”

O uso de áudio também deve ficar mais comum nesse tipo de trabalho, hoje basicamente feito em texto, complementa. Buhler tem discutido também a chamada “mentalidade estocástica”, que é uma maior aleatoriedade na forma que o sistema é acessado, basicamente aproximando do pensamento humano. “Vou digitar 73 no meu computador e, se eu te perguntar amanhã qual era o número, você pode me dizer 73, 37, 75, algo no entorno do conceito, da ideia daquele número. É assim que computadores estão pensando agora”, diz. Mas isso não aumenta a margem de erro? “Por isso tem os humanos, para trabalhar na acurácia.”

A Sequoia investiu recentemente em duas companhias que se enquadram nesse escopo desenhado por Buhler. Uma delas é a francesa Dust, que se apresenta como um sistema operacional de IA para equipes inteligentes – basicamente permite a personalização de agentes de IA para cada corporação, ao conectá-los com dados internos da companhia. A Sequoia liderou o round de US$ 16 milhões na companhia.

A outra aposta é brasileira – o primeiro investimento da Sequoia no país desde o Nubank, há 12 anos. A firma liderou a rodada na Enter (antes Talisman) no ano passado, que teve participação da Atlantico. A Enter já havia levantado capital com a Onevc, somando US$ 5,5 milhões até agora.

O que a startup brasileira faz é usar IA para fazer a defesa de empresas em ações judicias de consumidores – uma proposta que já atraiu companhias do porte de Nubank, Inter e Vivo. Buhler conheceu um dos fundadores da empresa, Mateus Ribeiro, há cerca de um ano e meio, num jantar de estudantes em Stanford. De 20 pessoas, ele diz que o brasileiro foi o único que lhe chamou atenção, mas ainda não era um investimento óbvio para a Sequoia.

“Ele era super novo, determinado, querendo resolver a questão de litigância no Brasil. Mas nós queremos mercados maiores, normalmente companhias nos Estados Unidos, e parecia distante do que fazemos”, diz o investidor. Ribeiro entrou na faculdade de direito aos 14 anos, defendeu um caso diante do STF e se formou num MBA em Harvard antes dos 20 (hoje ele tem 25). Eles mantiveram contato, até que o empreendedor o convenceu a ouvir alguns de seus clientes. “Ficamos impressionados, é um problema no país, mas não só para empresas brasileiras. A United Airlines tem 90% de seus processos no Brasil, onde só tem quatro voos”, exemplifica.

O trio de fundadores da Enter é composto ainda pelo paulistano Henrique Vaz, ex-CMO da Wildlife, e o chileno Mike Mac-Vicar, cofundador da startup de jogos. A Enter afirma que, após 34 mil ações de defesa, aumentou de 7% a 21% o índice de vitórias nos litígios das companhias. “Por isso estão fazendo US$ 10 milhões de ARR em um ano e meio”, diz Buhler.

Para a Sequoia, a tese será focada em Brasil por algum tempo – depois, a companhia pode pensar em um avanço global. Os fundadores veem espaço para crescer em outras áreas das companhias clientes com soluções de IA – já têm demanda, por exemplo, para análise de mensagens de ouvidoria, conta Vaz.

A Enter usa diferentes provedores de GenAI, incluindo a OpenAI – com a entrada da Sequoia, conseguiu um acordo com a firma de não haver retenção de dados no sistema. “A companhia passou a ser lucrativa há quatro meses, após R$ 700 mil de investimento. Já levantamos cerca de R$ 40 milhões que estão no caixa”, diz Ribeiro, emendando que pode não ter necessidade de outra rodada de capital. Para ele, a companhia já tem o melhor investidor. “A Sequoia foi uma das primeiras investidoras da Apple, Nvidia, Cisco e Microsoft, todas empresas que, em algum momento, foram as mais valiosas do mundo”, diz.

A Enter usa diferentes provedores de GenAI, incluindo a OpenAI – com a entrada da Sequoia, conseguiu um acordo com a firma de não haver retenção de dados no sistema. “A companhia passou a ser lucrativa há quatro meses, após R$ 700 mil de investimento. Já levantamos cerca de R$ 40 milhões que estão no caixa”, diz Ribeiro, emendando que pode não ter necessidade de outra rodada de capital. Para ele, a companhia já tem o melhor investidor.

“A Sequoia foi uma das primeiras investidoras da Apple, Nvidia, Cisco e Microsoft, todas empresas que, em algum momento, foram as mais valiosas do mundo”, diz.

Ele não se preocupa com a discussão de regulação – apesar de reconhecer que trata-se de um risco para os investimentos, Buhler considera que um caminho de regulação por aplicações. “Quando inventaram a eletricidade, as pessoas também ficaram muito preocupadas, porque era algo perigoso, que podia matar. Mas regular conforme as aplicações. Um carro elétrico é diferente de um liquidificador na tomada”, compara.

Fonte: Pipeline
Por: Maria Luíza Filgueiras

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