A venda de participação minoritária da Scala Data Center, empresa controlada pelo fundo americano DigitalBridge, tem atraído o interesse de investidores estrangeiros. Ao menos quatro já chegaram à sentar a mesa para avaliar o negócio, apurou o Pipeline: os fundos de pensão canadenses CDPQ e CPPIB, o fundo soberano de Cingapura GIC e a firma de investimento focada em infraestrutura americana GIP.
Criada em 2020, a Scala é uma das maiores no desenvolvimento de data centers de hiperescala, que oferecem infraestrutura em nuvem de maior capacidade. A empresa contratou o Deutsche Bank para buscar um investidor para financiar a expansão desses projetos na América Latina, que podem contar com o apoio dos próprios acionistas atuais.
A Scala já tem investidores estrangeiros como Rosewood Capital e Banco Mundial, e recebeu, no ano passado, um aporte de US$ 500 milhões da gestora americana Coatue Tactical Solutions – que já investiu em empresas como a ByteDance, dona do TikTok, e a Ant Group, do Alibaba -, e do fundo de pensão canadense Imco. Na época, a companhia foi avaliada em US$ 2 bilhões.
Esse último investimento foi feito no modelo de preferred equity, que assegura certos direitos aos financiador em relação aos demais, como o recebimento de dividendos ou taxa anual de remuneração, e preferência em eventos de liquidez, como uma nova rodada de capitalização. A companhia ainda levantou R$ 1,37 bilhão com emissão de debêntures verdes no ano passado.
A Scala tem como clientes big techs como Microsoft e atua em um mercado em crescente demanda por data centers com a ampliação do uso de Inteligência Artificial – mas de uso intensivo de capital, o que complica os planos do setor num período de dinheiro mais caro. Outras empresas, como a Ascenty, também estão em busca de novos investidores para injetar dinheiro no caixa para expansão.
A Scala anunciou, em setembro, um investimento de R$ 3 bilhões para a primeira fase do projeto de construção de um distrito industrial de data center em Eldorado do Sul, região metropolitana de Porto Alegre, o Scala AI City. A empresa prevê ainda investimento de R$ 6,2 bilhões em uma segunda fase de expansão do Campus Tamboré, que vai até 2025. O plano, nessa segunda fase, é seis novos edifícios com capacidade de 158 Megawatts (MW).
Ao todo, a Scala prevê alcançar R$ 27 bilhões em investimentos comprometidos no Brasil até 2026. A companhia tem ainda operações no Chile, México e Colômbia, somando 100 MW de capacidade atual instalada de TI na América Latina, com 12 data centers em operação.
Fonte: Pipeline
Por: Silvia Rosa